Entidade cobra punição a agressor de árbitra e repudia machismo: “Futsal conserva esse problema”

Presidente da Associação Nacional dos Árbitros de Futsal relata que violência a profissionais é comum pelo país e condena: “Infelizmente, ainda se acha que mulheres não têm a mesma condição de arbitrar uma partida, o que não é verdade”

 

 

As imagens gravadas por um celular na arquibancada da quadra de esportes da Universidade Federal Delta do Parnaíba (UFDPar), litoral do Piauí, registraram um momento de brutalidade e violência que chocaram, causaram revolta: um jogador universitário partiu para cima da árbitra Eliete Fontenele completamente descontrolado e, ao receber o cartão vermelho, a agrediu sem nenhuma possibilidade de defesa com três socos no rosto. Em seguida, fugiu. A cena de fúria que viralizou, contudo, é comum pelo país a fora – só não ganham o tamanho da repercussão do caso em Parnaíba. Ao ver a gravação, o presidente da Associação Nacional dos Árbitros de Futsal (Anafutsal), Elgio Ribas, revelou que as agressões a profissionais das quadras são rotineiras.

Agressão árbitra futsal — Foto: Reprodução/Whatsapp

Agressão árbitra futsal — Foto: Reprodução/Whatsapp

– Recebemos com indignação a notícia. Fomos surpreendidos, mas infelizmente, as agressões são constantes, independente de qual estado do país. É generalizado. Por exemplo, aqui no Rio Grande do Sul foram três casos apenas no ano passado. Infelizmente, pouco se contabiliza casos assim. Tivemos um árbitro que foi agredido e ficou mais de um mês em coma. Esses atos covardes não são específicos em uma ou duas regiões do país, acontecem em todas regiões. Geralmente, as agressões acontecem em torneios não oficiais, não organizados pelas federações – comentou Ribas, que também presidente a associação gaúcha da categoria.

Árbitra Eliete Fontenele registra caso de agressão em jogo  — Foto: Kairo Amaral/TV Clube

Árbitra Eliete Fontenele registra caso de agressão em jogo — Foto: Kairo Amaral/TV Clube

 

 

 

 

 

Árbitra Eliete mostra ferimento na boca — Foto: Kairo Amaral/TV Clube

Árbitra Eliete mostra ferimento na boca — Foto: Kairo Amaral/TV Clube

Eliete Maria Fontenele é árbitra de futsal há 20 anos. Com 42 anos de idade, ela relatou que nunca tinha sofrido uma agressão física, mas já conviveu com violência verbal como alguns xingamentos. A violência sofrida aconteceu logo após uma briga generalizada entre atletas. Para o presidente da associação nacional, as mulheres são vítimas com mais frequência da ira contra a arbitragem nas quadras por causa da cultura do machismo.

– Infelizmente, o machismo contribui para isso. O futsal ainda conserva esse problema (machismo). Infelizmente, ainda se acha que as mulheres não têm a mesma condição de arbitrar uma partida, o que não é verdade. Estão sim muito bem preparadas. Hoje, em todas as federações, as árbitras estão desempenhando um grande papel na arbitragem, temos árbitras no quadro da FIFA.

Segundo a entidade, os problemas enfrentado pelas árbitras são a insegurança, o desrespeito e a impunidade.

– As maiores queixas das árbitras é o respeito, o mesmo respeito que destinam aos árbitros. Em jogos oficiais, realmente não tem acontecido casos de agressão física às arbitras. Isso vem ocorrendo em jogos não oficiais, onde o respaldo e a segurança são infinitamente menores. Mas o desrespeito, não está somente nas agressões físicas, está também nas agressões verbais.

A Anafutsal é uma entidade criada há quatro anos, com sede em Porto Alegre. Atualmente, são cerca de 400 profissionais federados e confederados, de todos os estados. Depois da agressão a Eliete, a entidade retomou em sua rede social a campanha “cartão vermelho contra a violência, diga um basta a agressão aos árbitro”.

– As agressões aos oficiais de arbitragem são comuns, chegam ao nosso conhecimento todas as semanas, mas infelizmente é preciso que uma colega passe por isso para que a sociedade tome conhecimento do que ocorre nos ginásios Brasil afora – completa Ribas, acrescentando que a punição rigorosa a agressores é o caminho para uma redução nos casos de violência.

“Vamos acompanhar o caso e, com toda certeza, estaremos em contato com a universidade responsável pelo campeonato e pediremos à federação piauiense para que acompanhe o caso”, concluiu Ribas.

Um processo administrativo foi aberto pela Universidade Federal Delta do Parnaíba para apurar qual sanção disciplinar o aluno que bateu na árbitra de futsal será punido. A comissão que apura o caso pode advertir, suspender ou desligar totalmente o aluno dos quadros da instituição. Eliete Fontenele registrou boletim de ocorrência e aguarda o resultado do exame de corpo de delito feito no Instituto Médico Legal. O aluno envolvido na cena de agressão fugiu e ainda não foi localizado pela polícia.

Fonte: GE-PI

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