Acusado de matar esposa com mais de 20 golpes de facão no PI pede para ser punido

‘Destruí minha família, fui um monstro’

Selene Veras Roque, de 28 anos, foi assassinada pelo marido Raimundo Neto Pereira em junho de 2018, no povoado Brejinho, zona rural de Luís Correia.

 

 

Familiares e amigos de professora assassinada no Piauí pedem justiça — Foto: Tiago Mendes/TV Clube

Raimundo Neto Pereira, de 34 anos, acusado de matar a esposa, Selene Veras Roque, assumiu autoria no assassinato e disse que queria ser punido pelo crime ocorrido em 2018. Ele prestou depoimento na tarde desta quinta-feira (8) durante o julgamento no Tribunal Popular do Júri, em Luís Correia. A sessão não tem previsão para o encerramento.

“Eu quero pagar pelo o que eu fiz, eu não me perdoo nunca pelo o que fiz. Hoje eu vivo controlado por remédio. Eu não destruí só a mim e a minha esposa não, eu destruí a minha família inteira. Eu fui um monstro fazendo um negócio desses”, afirmou Raimundo Neto.

O acusado está sendo julgado pelo Tribunal Popular do Júri, no Fórum de Luís Correia. O suspeito chegou ao fórum por volta das 8h15. Com cartazes, familiares e amigos da vítima afixaram cruzes em frente ao local e protestaram pedindo justiça e o fim dos feminicídios.

Raimundo Neto Pereira é julgado no Tribunal Popular do Júri, em Luís Correia. — Foto: Reprodução/TV Clube

Acusado assume crime

Raimundo Neto é acusado de matar sua esposa, Selene Veras Roque, em junho de 2018, no povoado Brejinho, zona rural de Luís Correia, no Piauí. Ela sofreu 26 perfurações de facão, na residência onde o casal morava com o filho de 7 anos.

O acusado chorou durante todo o depoimento e contou como tudo aconteceu. Segundo Raimundo Neto, um dia antes do crime, no dia 7 de junho de 2018, ele foi até um bar com um amigo e acabou se esquecendo de ir pegar a esposa, que estava fazendo uma especialização na cidade de Parnaíba, o que teria irritado a vítima.

Ele então pegou Selene na universidade e a deixou em casa, na cidade de Luís Correia. Raimundo Neto então voltou para o bar, retornando somente por volta de 4h30 do dia 8 de junho. Ele explicou que essa situação acabou gerando uma discussão entre o casal e que a esposa teria dito que queria sair de casa.

“Eu então perguntei porque toda vez que a gente discutia, ela queria ir embora. Eu me lembro que xinguei e nisso a Selene me deu um tapa. A gente caiu no sofá e eu não me lembro mais de nada”, contou.

“Se eu tivesse a oportunidade hoje, eu traria a vida dela de volta, porque a dor que eu estou passando, não desejo para nenhuma pessoa no mundo. Fui um monstro, eu não quero me defender em nada”, disse o acusado.
Durante o depoimento, ele disse que o casal estava junto há 12 anos, e que quando começaram a namorar, Selene tinha apenas 15 anos. Raimundo ainda negou que durante o relacionamento teria agredido a esposa em outras ocasiões.

Mãe relatou torturas e ameaças à criança

Em entrevista a mãe da vítima, Silvia dos Santos Veras, relatou que soube de desentendimentos entre o casal e agressões sofridas pela filha somente após o crime. Segundo ela, a filha de Selene Veras, de sete anos, presenciou momentos de violência.

“Ela nunca me falou nada, tanto que foi mais duro por isso. Ela deixou minha netinha, eu perguntei ‘por que você não me avisou? Eu teria vindo aqui e tirado ela dele, teria fugido com ela’. E ela disse ‘ele falava que se eu contasse para minha avó, me matava também’. Ela disse que muitas das vezes abria os olhos e pensava ‘não vou dormir, vou ficar com os olhos abertos para ver quando ele começar a bater nela”, contou a mãe de Selene.

De acordo com Silvia Veras, o homem chegou a encher garrafas com dois litros de água e obrigava a vítima a beber. Caso ela reclamasse, ele a agredia. “O que a gente pede é justiça, que ele seja condenado com a pena máxima, porque foi muito triste o que ele fez com a minha filha”, disse a mãe.

Julgamento adiado uma vez

Inicialmente, a sessão estava prevista para o dia 9 de junho deste ano. Mas foi suspensa depois que a defesa do acusado solicitou adiamento após uma das juradas passar mal e ser socorrida por uma profissional de saúde, que prestou atendimento médico.

A primeira audiência do caso, de instrução e julgamento, aconteceu em julho de 2018. Na ocasião, a defesa alegou insanidade mental do acusado, ou seja, no momento do crime o homem estaria “fora de si” e não poderia responder por ele.

Relembre o crime

A professora Selene Roque Veras, de 28 anos, foi assassinada com 26 perfurações de facão na casa em que morava em Luís Correia, na noite do dia 3 de junho de 2018. Raimundo Neto Pereira fugiu após cometer o crime. Após quase 72 horas foragido, o homem se entregou acompanhado do advogado.

O delegado de Polícia Civil de Luís Correia, Maikon Kaestner, afirmou que o suspeito alegou um desentendimento do casal antes do crime.

“O casal já vinha brigando há muito tempo. Já tinham se separado algumas vezes e havia ciúmes por parte dele. Ele falou que a relação estava desgastada e ele não queria a separação. No domingo, ele deixou cedo ela na aula e foi ao bar beber. Meio dia, pegou ela, almoçaram, tiveram uma leve discussão e foram discutindo para o povoado onde moravam. Voltando para casa, eles continuaram a discussão até o momento que ela pediu a separação, dizendo que não o amava mais”, relatou.

“Depois, acirrou a briga até o momento em que estavam na sala discutindo, e ele querendo que ela ficasse. A filha não estava no local, estava na casa da madrinha. Ele estava na cozinha, lembra que pegou uma faca e, dizendo ele, que não lembra como foi no calor da emoção. Não lembra quantas facadas, disse que só veio a si quando se deparou com ela morta no chão”, detalhou o delegado.

Fonte: G1-PI

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