Ceará tem maior número de finalistas em 9ª Olimpíada Nacional de História

O segundo estado com maior número de finalistas é o Rio Grande do Norte, com 60 equipes; CE tem 119 equipes finalistas.

O Ceará é o estado com maior número de finalistas na 9ª Olimpíada Nacional de História do Brasil (ONHB), com 119 equipes, das 307 selecionadas para a final. A única equipe de escola pública do interior do Ceará é formada por três estudantes que dizem ter aprendido muito nas cinco etapas pelas quais já passaram. Uma outra equipe finalista homenageou a travesti Dandara, morta de forma brutal rm Fortaleza. (veja vídeo abaixo)

Entre as instituições finalistas, quatro são públicas, três da capital e uma do interior: a Escola Estadual de Educação Profissional Dr. José Alves da Silveira, de Quixeramobim; Escola de Ensino Fundamental e Médio Renato Braga; Escola Estadual de Educação Profissional Professor César Campelo; e Escola de Ensino Médio Liceu do Conjunto Ceará, de Fortaleza.

Na edição passada, o Estado foi o maior vencedor da competição, com 19 medalhas. Este ano, junto ao Rio Grande do Norte (60 equipes) e Bahia (24 equipes), a região Nordeste corresponde a 66% do número de participantes, que fará a etapa final nos dias 19 e 20 de agosto, na Unicamp, em Campinas-SP.

A professora de História, Mayara Lemos, orientou a equipe “Cabala”, única finalista cearense de escola pública do interior, que fica na cidade de Quixeramobim. Os estudantes do 3º ano do Ensino Médio Caroline Nobre, Caio Cavalcante e Júlio César da Silva passaram por cinco etapas on-line, em que tiveram de resolver questões de múltipla escolha e desenvolver tarefas estipuladas pela comissão da Olimpíada. No ano passado, a professora também coordenou uma equipe finalista, que levou medalha de bronze.

Para Mayara, a Olimpíada visa um aprendizado mais aprofundado do conteúdo. “A competição ensina o ofício de historiador, interpretar imagens, ler informações, desenvolver senso crítico e autonomia. Muitos dizem que não gostavam muito de História e a olimpíada despertou esse interesse, e isso é gratificante”, afirma.

O estudante Júlio César, que já gostava da matéria, esteve na equipe de bronze da edição passada. “A forma como a olimpíada conduz as fases é inovadora, existe um debate entre a equipe pra achar o que mais se aplica à questão, analisando imagens e pontos de vista de antropólogos. Esse ano, a gente debateu muito sobre mudanças de Governo e isso ajuda a aprender mais sobre nossa História”, enfatiza.

Na escola privada onde trabalha o professor de História, Cleber Uchôa, sete equipes coordenadas por ele foram convocadas para a final. “Eles vão se debruçar em documentos, pesquisar em sites e livros; isso leva o aluno a estudar, há um processo de aprendizado”.

A estudante do 3º ano do Ensino Médio, Dara Medeiros, 17, conta que o incentivo do professor foi importante para que ela entrasse na disputa. A aluna participa da competição desde 2013, quando estava no 8º ano.

‘Ele sempre mostrou a olimpíada como algo que beneficia. Vejo que é pra me fazer alguém melhor, mais questionadora, que busca conhecimento pra participar ativamente da sociedade e virar de fato uma agente social’

Batizada de “Sapere aude”, expressão que pode ser traduzida como “ouse saber”, termo remetido ao filósofo Immanuel Kant, a equipe de Dara também é formada pelos estudantes Miguel Cruz e Miguel Araújo. Da mesma escola, outra equipe foi batizada como “Dandara Vive!”, homenageando a travesti Dandara dos Santos, 42, assassinada de forma brutal no bairro Bom Jardim, em fevereiro deste ano.

No primeiro dia da etapa final (sábado, 19), as equipes realizam uma prova presencialmente durante a manhã, sem a orientação do professor. O resultado é comunicado na manhã de domingo em uma cerimônia onde são distribuídas 15 medalhas de ouro, 25 de prata e 35 de bronze, de acordo com a pontuação. Os demais recebem medalhas de honra ao mérito.

Fonte: G1

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *