Jericoroa

Jericoroa: bar em banco de areia no Rio Parnaíba chama a atenção de teresinenses

 

 

 

 

 

 

 

 

Um bar construído em uma coroa do Rio Parnaíba, como são chamados os bancos de areia que se formam ao longo do leito quando o nível das águas cai, tem atraído a atenção da população de Teresina que passa pelo Centro da cidade, próximo ao Shopping da Cidade.

Apesar da imagem incomum, José Pinheiro, de 56 anos, responsável pelo estabelecimento, disse ao Cidadeverde.com que o empreendimento é uma tradição familiar, iniciado com a mãe há cerca de 50 anos e agora assumido por ele.

“Como ela já está bastante idosa, eu tomei de conta do negócio e estou colocando para a frente. Só não abrimos o bar nos últimos dois anos de pandemia”, relatou Zezinho, como é conhecido pelos clientes que frequentam o bar, “batizado” de “Jericoroa”.

O nome popular do local é uma referência a praia de Jericoacoara, localizada em Jijoca, no litoral do Ceará, bastante famosa por seus cenários exuberantes e estrutura de hotéis e pousadas. O local também é consideradp um dos principais destinos turísticos da região Nordeste.

Apesar da comparação em tom de brincadeira, Edvaldo Evangelista, de 47, aprovou a “Jericoroa”. Única capital nordestina sem praia, o empresário afirmou que o local é uma excelente opção de lazer para as famílias teresinenses.

“Vi que as coroas voltaram e resolvi vir com meus filhos. Já tinha vindo em outras oportunidades. É um ambiente bem legal, tranquilo e divertido para passar um tempo com a família”, disse o cliente da barraca.

Além do rio e da paisagem, uma das principais atrações do bar é o seu cardápio. “Vendemos algumas coisas, como o peixe, que é uma tradição. A piaba, pescada aqui mesmo no rio, é o que mais bomba”, revela Zezinho à reportagem.

O estabelecimento funciona todos os dias da semana e tem como principal atração o seu cardápio. “No final de semana é superlotado. Vendemos o peixe, que é uma tradição. A piaba, daqui mesmo do rio, é a que mais bomba”, revelou o proprietário.

Como chegar?

Já em funcionamento, a movimentação de pessoas na “Jericoroa” costuma ser mais intensa aos finais de semana. Para chegar até a barraca, no entanto, os clientes precisam desembolsar cerca de R$ 5 pela travessia até a faixa de areia no leito do rio e mais R$ 5 no retorno à margem.

“O fluxo ainda está baixo, até porque só tem uma semana que o bar está funcionando. A previsão é que o número de passageiros aumente, principalmente aos finais de semana”, avalia o barqueiro Francisco das Chagas Oliveira, que trabalha há duas décadas neste serviço.

As embarcações possuem autorização da Capitania do Porto para o transporte de passageiros. Para tanto, precisam seguir diversos critérios de segurança, como lotação máxima e itens de segurança disponíveis aos usuários, como bóias e coletes salva vidas.

Segurança do local

De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Piauí (CBM-PI), o órgão sempre disponibiliza equipes para o monitoramento de áreas com grande concentração de pessoas, como é o caso das coroas, porém, ressaltou que não há como manter pontos fixos de fiscalização no local.

Uma das dificuldades é porque, além da capital, a população de outras cidades do interior do estado por onde também passa o rio Parnaíba também costuma usar as coroas como ponto de lazer e diversão nesse período do ano.

“Sempre mandamos equipes, mas são vários pontos ao longo do estado onde a população frequenta. Por conta disso, fazemos a prevenção móvel por embarcação, pois não temos como escalar equipes fixas”, explicou o coronel José Veloso, relações públicas do CBM-PI.

Orientações aos visitantes

Para os frequentadores da “Jericoroa” e outros locais semelhantes próximo aos rios, é importante sempre se manter atento aos cuidados que se deve ter para evitar incidentes com afogamentos. Uma das principais orientações diz respeito às crianças.

“Costumamos focar nossas atenções para o cuidado com esse público, que são os pontos mais críticos pois não possuem muita noção. Além disso, é importante que a pessoa não se coloque em situação de risco e procure sempre a orientação de pessoas mais experientes”, alertou Veloso.

Outra situação que preocupa, sobretudo onde há venda de comidas e bebidas alcoólicas. Segundo o coronel dos Bombeiros, esses são dois fatores que alteram a percepção do ambiente e da capacidade física da pessoa.

“Se você está ingerindo bebida alcoólica, ou qualquer outra substância que altere a percepção, inclusive de medicamentos, é um risco. A pessoa perde noção do perfil da sua característica, da sua capacidade física e do ambiente à sua volta”, pontuou o bombeiro.

O alerta ambiental

A expectativa de Zezinho é manter a “Jericoroa” em funcionamento pelo menos até meados de dezembro. Apesar disso, o barraqueiro vê condições para estender as atividades do estabelecimento um pouco mais.  “Acho que vamos passar o reveillon aqui”, avaliou.

Um dos motivos para isso diz respeito tanto a extensão da faixa de areia como a sua altura. Segundo Zezinho, mesmo com altura estando em um nível considerado normal em sua avaliação, chama a atenção a extensão da coroa. “Desse tamanho, é a primeira vez que vejo”, afirmou.

 

O geógrafo José Luís, professor aposentado do Departamento de Geografia e História da Universidade Federal do Piauí (Ufpi), explica que a formação das coroas no leito do rio é um processo natural, que tem sido potencializado pela ação humana.

Ele explica que os bancos de areia são formados por sedimentos das margens transportados pela correnteza do rio ao longo de todo o seu trajeto. Com o desmatamento dessas áreas, esse processo se acelera.

“Esse é um dos principais fatores, porque a medida que o desmatamento retira a proteção da mata auxiliar das margens o desgaste delas é muito maior. É um processo natural, mas por conta dessa situação se intensifica”, lembra o especialista.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Breno Moreno
redacao@cidadeverde.com

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