Ocupação de UTI na rede privada do Rio cai para 75%.

Associação de hospitais chegou a registrar pico de 93% durante pandemia. Na rede pública, também houve redução da ocupação, mas especialistas veem risco em flexibilização.

Durante a pandemia de Covid-19, a taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) nos hospitais da rede privada do Rio de Janeiro – que já chegou ao pico de 93% – estava em 75% até segunda-feira (8). Os dados são da Associação de Hospitais do Estado do Rio de Janeiro (Aherj).

Segundo o diretor da Aherj, Graccho Alvim, a queda gradual tem ocorrido desde o fim de maio, quando a ocupação atingiu 85%. O médico, no entanto, alertou para o risco de uma volta do crescimento do contágio.

“A pressão diminuiu nas emergências. Ainda temos casos de Covid, mas observamos uma taxa de contágio menor. Isso não significa que ela desapareceu. A grande preocupação agora é com a retomada”, disse Alvim.

Na rede municipal, na segunda-feira, havia 85% dos leitos de UTI ocupados – 5% pontos percentuais a menos que na semana anterior. Os dados são referentes as unidades municipais, estaduais e federais localizadas na Cidade do Rio.

Além da queda nas internações por Covid-19, médicos dizem que caiu também o número de pessoas que buscam atendimento com sintomas leves da doença.

“Não só o número de internação, o número de pacientes graves diminuiu, como o número de pessoas com quadro leve, com suspeita de Covid-19, diminuiu bastante (nos hospitais particulares)”, comentou Renata Lopes, médica da Clínica São Vicente e da Maternidade Fernando Magalhães.

“Aquelas doenças comuns, do dia a dia, têm retornado porque as pessoas tinham medo de ir para o hospital. As apendicites, diverticulites, pneumonias. Casos que não são por Covid têm retornado”, argumenta Lopes.

Retomada

Mesmo diante de alguns sinais trégua da pandemia, as autoridades de saúde e a população devem se manter alertas. O diretor da associação teme que a abertura imediata possa favorecer o vírus.

“Não é a hora de relaxar ainda. Estamos abrindo no ápice da doença. Eu entendo a pressão sob o governo pela reabertura, mas deveríamos esperar um momento melhor para abrir”, diz Alvim.

Na segunda-feira, o RJ contabilizou 69.499 casos confirmados da doença desde março. São 6.781 mortes provocadas pelo novo coronavírus.

Testagem

Graccho Alvim defendeu a testagem em massa para o avanço na retomada. Para o médico, a taxa de contágio está diminuindo por conta do período rigoroso de isolamento social adotado, mas a abertura, mesmo que gradual, pode lotar as UTIs novamente.

“Os números mostram que cerca de 50% das pessoas obedeceram ao isolamento e ficaram em casa. Você tem metade da população que não correu riscos. Só que o vírus continua circulando. Se todo mundo voltar de uma só vez, isso pode ser muito perigoso (…) Nós só testamos as pessoas que tinham sintomas. Não temos controle dos assintomáticos”, explicou.

“Se a gente não começar a testar a população no geral, para saber quem tem o vírus, isolar e monitorar essas pessoas, vamos ter uma taxa de contágio muito maior. Em 15 ou 20 dias, vamos ter leitos lotados novamente”, afirmou Alvim.

Phbcity.com