Petróleo é negociado abaixo de US$ 0 nos EUA

Com corrida para venda de contratos e estoque alto

Cotação do WTI cai mais de 150% nesta segunda-feira. Em Londres, o Brent recua menos, queda de 9%

 

 

 

 

O preço do petróleo leve americano (WTI, na sigla em inglês) chegou a cair mais de 140% no início da tarde desta segunda-feira, operando com valores negativos, com a corrida para venda de contratos e o aumento dos estoques americanos. É o menor patamar desde que os contratos futuros da commodity começaram a ser negociados em Nova York, em 1983, segundo a Bloomberg.

Por volta das 1530h, o barril do WTI era cotado a US$ – 13,98, com perdas de 176,52%. A queda em um ritmo sem precedentes reflete o fim do prazo dos contratos para entrega em maio, que expiram nesta terça-feira. Isso significa que os que assinaram esses contratos têm de encontrar compradores físicos para o petróleo até amanhã, o que provocou uma corrida para vender a commodity.
O barril do petróleo tipo Brent (referência internacional) recuava menos. Às 15h30, perdia 9,01% na Bolsa de Londres, a US$ 25,55. Mas chegou a cair mais de 10% ao longo do dia.

Apesar do gatilho para tamanha queda do WTI ter sido a corrida por venda de contratos, o pano de fundo que pressiona o preço do petróleo é o aumento dos estoques, que refletem a menor demanda pela commodity, em meio à pandemia do coronavírus.

A Administração de Informações sobre Energia (AEI, na sigla em inglês) dos EUA informou nesta segunda que o estoque do petróleo cresceu em 19,2 milhões de barris na semana passada. A alta foi verificada especialmente no terminal de Cushing, em Oklahoma, no sul dos EUA, considerado um dos mais importantes do país.

Capacidade de estocagem no limite

A quantidade de petróleo nos tanques deste terminal aumentou 48%, para quase 55 milhões de barris desde o fim de fevereiro, próximo a sua capacidade de armazenamento, de 76 milhões de barris, segundo a AEI. Há preocupação de que a capacidade de estocagem chegue ao teto.

“Não há limite para a desvantagem dos preços quando os estoques e oleodutos estão cheios ”, tuitou Pierre Andurand, chefe do fundo de hedge de petróleo de mesmo nome. “Preços negativos são possíveis”, acrescentou.

Sukrit Vijayakar, analista da Trifecta Consultants, destaca que as refinarias americanas não conseguem transformar o petróleo cru de maneira suficientemente rápida, o que explica por que há menos compradores e, ainda assim, as reservas continuam aumentando.

Excesso de oferta

A crise na cotação foi intensificada depois que a Arábia Saudita, membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), iniciou uma guerra de preços com a Rússia, que não integra o cartel, mas é aliada.

Os dois países encerraram a disputa no início do mês, quando aceitaram, ao lado de outros parceiros, reduzir a produção em 9,7 milhões de barris diários para estimular os mercados afetados pelo vírus.

Ainda assim, os preços continuam em queda. Analistas consideram que os cortes não são suficientes para compensar a forte redução da demanda.

“Os preços do petróleo continuarão sob pressão”, destaca o banco australiano ANZ, em comunicado. “Embora a Opep tenha aceitado uma redução sem precedentes na produção, o mercado está inundado de petróleo”.

 

 

 

 

 

 

 

Phbcity.com