Será que a pandemia democratizou a morte?

Planeta Terra, 2020. Milhares de pessoas morrem em função de uma pandemia. A humanidade mobilizou-se. Pressionados, os governos reagiram com energia. Os exemplos de solidariedade se multiplicaram – todos devidamente realçados pelos meios de comunicação.

Planeta Terra, desde que me entendo por gente. Milhões de crianças morrem de fome – uma a cada cinco segundos, para ser preciso. Faça uma experiência e conte até cinco: um, dois, três, quatro e cinco. Pronto! Morreu outra! No entanto, a humanidade não se mobilizou. Nada aconteceu. Poucos mostraram alguma solidariedade e quase nada foi divulgado.

Planeta Terra, desde que me entendo por gente. Milhões de pessoas morrem por conta de doenças causadas pela falta de saneamento básico. Surpreendentemente, a humanidade permaneceu inerte. Não houve consequências. Os gestos de compaixão foram poucos – assim como o noticiário.

Planeta Terra, desde que me entendo por gente. Milhões de pessoas morrem vitimadas por guerras brutais – a maior parte delas fruto da mais abjeta ganância. A humanidade, porém, omitiu-se. E ficou tudo assim. Desse jeito. Poucos se importaram.

Planeta Terra, desde que me entendo por gente. Milhões de pessoas morrem pelos corredores fétidos de alguns hospitais públicos. Da humanidade, no entanto, ouviu-se apenas o silêncio – em contraste com os gemidos dos miseráveis que sofrem enquanto aguardam a morte. Os gestos de grandeza foram mínimos – assim como o número de matérias a respeito.

Curioso, isso! Será que a única diferença da pandemia de 2020 em relação aos demais flagelos é ter democratizado a morte? Será que estamos tão baixo enquanto humanidade? Que tal, no devido tempo, tratarmos das demais pandemias? Daquelas que atingem quase que somente nossos irmãos mais necessitados?

Vencê-las é possível. Com uma ou duas guerras a menos, o corte de alguns benefícios fiscais e resgates financeiros a grandes empresas e a redução dos índices de corrupção e impunidade chegaremos lá! Veja que foram anotados apenas problemas básicos demais, para cujo enfrentamento a raça humana tem recursos a fartar – é só querer!

Se não conseguirmos, se após tudo isso retomarmos o ramerrão habitual, só nos resta recordar o prudente conselho de Thomas Jefferson: “Eu temo pela minha espécie quando penso que Deus é justo”.

 

 

 

 

 

Ag. Brasil

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