Vacina contra gripe pode evitar efeitos graves da Covid-19, diz estudo

Pesquisa com dados de mais de 74 mil pessoas infectadas pelo coronavírus indica que os vacinados contra o vírus influenza têm menor risco de derrame, sepse e admissão na UTI.

 

 

 

Um estudo divulgado durante o Congresso Europeu de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas, que ocorreu neste domingo (11), indica que a vacina da gripe comum pode prevenir contra os efeitos graves da Covid-19. A pesquisa considerou dados de mais de 74 mil pessoas de diversos países.

A pesquisa partiu do banco de dados da plataforma TriNetX, onde estão disponíveis registros de saúde de mais de 70 milhões de pessoas do mundo todo. Mas os cientistas consideraram apenas dois grupos de aproximadamente 37,3 mil pessoas que tiveram Covid-19: o primeiro havia recebido a vacina contra gripe entre duas semanas e seis meses antes de testar positivo para o coronavírus; e o segundo não fora vacinado antes de contrair o Sars-CoV-2.

Os participantes eram de países como Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Itália, Israel e Cingapura. Foram considerados nesses indivíduos vários fatores de risco para a Covid-19 grave, como tabagismo, diabetes, obesidade, doença pulmonar obstrutiva crônica e idade.

Liderada por pesquisadores da Universidade de Miami, nos Estados Unidos, a equipe identificou diferenças na evolução do quadro dos voluntários dos dois grupos cerca de 120 dias depois deles testarem positivo para o vírus Sars-CoV-2. Entre elas, admissão na UTI por conta da Covid-19: a probabilidade disso ocorrer entre os não vacinados contra gripe comum era até 20% maior em relação aos que haviam se imunizado.

Além disso, quem não havia sido vacinado contra o vírus influenza apresentou um risco até 45% maior de ter sepse (infecção generalizada); propensão 58% maior de derrame e 40% maior de trombose venosa profunda. Já uma visita ao pronto-socorro se mostrou 58% mais provável.

No entanto, embora os resultados sugiram que a vacina contra a gripe possa oferecer alguma defesa contra o coronavírus, os cientistas ponderam que mais pesquisas são necessárias para entender essa relação. Estudos anteriores já apontaram que a vacinação contra o vírus influenza estimula o sistema imunológico inato, que faz com que desde o nascimento o nosso corpo reaja a microrganismos invasores mesmo sem exposição prévia a eles.

Os pesquisadores ressaltam ainda que a vacinação contra a gripe comum não deve anular a necessidade de se imunizar contra o coronavírus. “A vacina de influenza não é de forma alguma uma substituta para a vacina contra Covid-9 e defendemos que todos recebam sua vacina contra Covid-19, se puderem”, recomenda, em comunicado, Susan Taghioff, pesquisadora que liderou o estudo.

 

 

 

Fonte: MN-PI

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