Veto à carne brasileira pelos EUA pode ser resposta a ‘pressão’, diz secretário

Luís Eduardo Rangel, secretário do Ministério da Agricultura, diz que suspensão de importações não foi comum. EUA dizem ter obtido resultados negativos em testes de qualidade da carne.

O secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Sonny Perdue, anunciou nesta quinta-feira (22) a suspensão da importação de carne bovina fresca vinda do Brasil. A suspensão ocorreu após o país obter resultados negativos em testes de qualidade da carne brasileira que entra no país.

Os Estados Unidos eram um mercado novo para a carne bovina in natura brasileira. O Brasil só conseguiu autorização para exportar o produto para o país no fim de julho do ano passado, após 17 anos de negociações.

Em comunicado, o Departamento de Agricultura americano informou que está testando 100% da carne brasileira que entra nos EUA. Nesses testes, 11% dos produtos de carne fresca brasileira importados foram rejeitados.

“Esse resultado está substancialmente acima do que a taxa de rejeição de 1% das entregas vinda do resto do mundo”, disse o departamento de agricultura americano, em comunicado.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadores de Carnes (Abiec), Antonio Jorge Camardelli, disse à GloboNews que o problema se deve a uma reação da vacina de febre aftosa. Os componentes do medicamento provocaram abscessos na carne.

Alguns são visíveis e foram retirados pelos fiscais sanitários brasileiros. “Outros são abscessos internos, que não são visíveis, e que infelizmente foram detectados pelo governo americano”, explicou.

Carne barrada

Desde que o regime de fiscalização foi ampliado, os fiscais americanos recusaram a entrada de 106 lotes de carne brasileira, que levavam 1,9 milhão de pounds (cerca de 860 toneladas) de produto. Segundo o órgão americano, esses produtos foram reprovados devido a problemas sanitários e de saúde animal.

 “Apesar do comércio internacional ser uma parte importante do nosso departamento, e o Brasil é um de nossos parceiros, minha prioridade é proteger os consumidores americanos. É isso que fazemos suspendendo a importação de carne fresca do Brasil”, disse o secretário americano, em comunicado.

Segundo o comunicado, a suspensão vale “até que o ministério de Agricultura brasileiro tome medidas corretivas que os EUA achem satisfatórias”.

Mercado novo

Em todo o ano passo, os Estados Unidos importaram US$ 3,35 milhões de carne bovina congelada, resfriada e fresca, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). Ao todo, o Brasil exportou US$ 4,3 bilhões desse produto em 2016.

Atualmente, a Ásia é o maior mercado para a carne bovina brasileira. O maior importador é Hong Kong, que comprou US$ 718 milhões de carne bovina resfrigada, congelada e fresca do Brasil em 2016, seguido da China, que importou US$ 702 milhões, segundo dados do Mdic.

A importância dos Estados Unidos como comprador de carne brasileira vai além dos números. O país é uma referência para outros importadores de carne bovina in natura, explicaram as autoridades brasileiras quando conseguiram o aval para exportar o produto para o mercado americano.

Na solenidade oficial que formalizou o acordo, o presidente da República, Michel Temer, disse que o aval dos EUA abriria novos mercados ao Brasil.

Reação internacional à Carne Fraca

Os Estados Unidos intensificaram os testes à carne brasileira em março, após a Polícia Federal deflagrar a operação Carne Fraca, que investigou irregularidades em frigoríficos brasileiros.

Após o escândalo, diversos países impuseram medidas restritivas à carne brasileira, como a suspensão de importações e o aumento dos testes de qualidade.

A União Europeia trouxe auditores ao Brasil em maio e enviou no início de junho uma carta ao ministro Blairo Maggi solicitando novas medidas para assegurar a qualidade da carne exportada. A UE ameaça impor novas restrições ao Brasil se seu pedido não for atendido.

Os Estados Unidos não chegaram a barrar a carne brasileira após a operação Carne Fraca. No entanto, o próprio ministério da Agricultura impôs medidas preventivas para tentar evitar sanções.

Na última quarta-feira (21), o órgão suspendeu a exportação de carne de cinco frigoríficos para os EUA, por reações adversas à vacina contra febre aftosa.

 Veja números do setor de carnes e peso na economia (Foto: Arte G1) Veja números do setor de carnes e peso na economia (Foto: Arte G1)

O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luís Eduardo Rangel, disse nesta sexta-feira (23) ao G1 que acredita que a suspensão das importações de carne bovina fresca brasileira anunciada pelos Estados Unidos foi motivada por “excesso de zelo” como resposta a pressões políticas e comerciais.

“Temos que entender que os americanos estão sofrendo pressão por ser um mercado importante. Existe uma pressão muito grande de sinais políticos aos consumidores. Eu acredito que venha a ser um excesso de zelo do governo americano em resposta a essa pressão”, disse Rangel.

Ele afirmou que ainda é cedo para falar de qualquer ação brasileira na Organização Mundial de Comércio (OMC) para questionar a decisão e que primeiro o Brasil fará os ajustes pedidos pelo governo norte-americano.

Se confirmada que a decisão está relacionada a pressão comercial, o governo Brasileiro sentará com representantes dos EUA para negociar.

Os Estados Unidos eram um mercado novo para a carne bovina in natura brasileira. O Brasil só conseguiu autorização para exportar o produto para o país no fim de julho do ano passado, após 17 anos de negociações.

A suspensão atinge apenas carne bovia fresca do Brasil. Na noite de quinta (22), o ministro da Agricultuira, Blairo Maggi, declarou que deve viajar aos EUA para tentar restabelecer as exportações, conforme informou o Blog do João Borges.

Não há risco à saúde

O secretário destacou que os problemas relatados pelos Estados Unidos na carne brasileira não oferecem risco à saúde, em caso de consumo do produto. Segundo ele, os problemas noticiados referem-se apenas à parte de preparo e limpeza da carne.

“Não oferece nenhum risco sanitário. Nossa primeira análise, com os fundamentos apresentados, é de que não acreditamos que a suspensão foi por questões sanitárias e sim de qualidade”, afirmou.

Segundo Rangel, os Estados Unidos relataram problemas como abcessos decorrentes de vacina contra febre aftosa, coágulos e fragmentos de ossos nas mercadorias analisadas.

Na quinta (22), o secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Sonny Perdue, anunciou que a suspensão ocorreu após o país obter resultados negativos em testes de qualidade da carne brasileira que entra no país.

Em comunicado, o Departamento de Agricultura americano informou que está testando 100% da carne brasileira que entra nos EUA. Nesses testes, 11% dos produtos de carne fresca brasileira importados foram rejeitados.

“Esse resultado está substancialmente acima do que a taxa de rejeição de 1% das entregas vinda do resto do mundo”, disse o departamento de agricultura americano, em comunicado.

Efeito carne fraca

Rangel disse ainda que a reação do governo americano pode ter relação com a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, que investiga esquema de corrupção envolvendo frigoríficos e fiscais sanitários do Ministério da Agricultura, além da venda de carne estragada.

Segundo ele, a operação colocou a carne brasileira em evidência.

“Ela [a carne brasileira] está mais em evidência. É um mercado muito agressivo, no mundo inteiro. Não existe vácuo. Qualquer saída de um player é muito comemorada pelos seus concorrentes. E os episódios da Carne Fraca colocaram em evidência a carne brasileira”, afirmou.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *